Pintura_Etrusca.jpgAssume-se, como Duarte, T. (2009) que, na ausência de um método que, entre todos, melhor responda no suporte ao processo de produçáo de conhecimento científico, a abordagem mista, por vários ângulos, com vários métodos, mais habitualmente denominada Triângulação é uma via de realização de investigação bastante frutuosa. Segundo aquela autora, "a triangulação constitui o {termo] mais utilizado na literatura, sendo percepcionado por vários autores como um conceito central na integração metodológica. Este conceito não apenas constitui, para alguns, uma das formas de combinar vários métodos qualitativos entre si (Flick, 2005a e 2005b) e de articular métodos quantitativos e qualitativos (Fielding e Schreier, 2001; Flick, 2005a), como também representa o conceito que quebrou a hegemonia metodológica dos defensores do monométodo (ou método único) (Tashakkori e Teddlie, 1998)."

Aliás Gunther, H. (2006) defende ser uma falsa questão a escolha entre metodologias quantitativas e qualitativas. argumentando que ambos os caminhos têm as suas vantagens e desvantagens, pontos fortes e fracos, considerando que é mandatória a pergunta de partida para a escolha do método ou métodos a aplicar na busca de respostas.

Como refere Duarte, aplicam-se os modelos de investigação quantitativa, partindo do conhecimento teórico existente ou de resultados empíricos anteriores, construindo o quadro teórico que antecede a observação do "objecto de investigação; as hipóteses são derivadas da teoria e são formuladas com a maior independência possível em relação aos casos concretos que se estudam; estas hipóteses são operacionalizadas e testadas face a novas condições empíricas; os instrumentos de recolha de dados são predefinidos; idealmente, pretende-se construir uma amostra que seja representativa da população; os fenómenos observados são classificados em termos de frequência e distribuição; da análise de dados regressa-se às hipóteses procedendo-se à sua corroboração ou infirmação; [sendo certo que] um dos fins últimos consiste na generalização dos resultados para a população."

Assim, da via quantitativa valorizam-se a capacidade de comunicação mais rigorosa, de estruturação à priori do caminho a percorrer, da operacionalização incorporando e controlando o erro estatísticamente admissível, a capacidade de extrapolação de resultados identificando as condições em que a amostra é representativa para o universo em causa. Ou, subscrevendo a síntese de Duarte, "como menciona Flick, na investigação quantitativa, “(...) As situações em que os fenómenos e as relações estudadas ocorrem são controladas até ao limite do possível, a fim de determinar com o máximo de clareza as relações causais e a sua validade. Os estudos são desenhados por forma a excluir, na medida do possível, a influência do investigador (entrevistador, observador, etc.)” (2005a:3)."

Mas tem-se clara percepção de que aos pontos fortes desta abordagem se contrapõem as limitações decorrentes de uma excessiva abstracção, do "deitar fora" o que não é passível de observação ou medida rigorosa, da exclusão da interpretação com diferentes graus de subjectividade. Assume-se por isso a necessidade de uma abordagem complementar, segundo uma metodologia que valorize os aspectos recusados.

Como Duarte, assume-se que "no modelo de investigação qualitativa, apesar de a teoria estar igualmente presente, esta não é tão claramente “apriorística” na investigação, mas os pressupostos teóricos vão sendo descobertos e formulados à medida que se dá a incursão no campo e que se vão analisando os dados. Mais do que testar teorias, procura-se descobrir novas teorias empiricamente enraizadas; a selecção dos casos privilegia a sua importância para o tema em estudo ao invés da sua representatividade; a complexidade é aumentada pela inclusão do contexto, e não reduzida (pela decomposição em variáveis); as hipóteses vão sendo reformuladas e, mesmo, elaboradas ao longo do processo de investigação; a amostragem pode ser conduzida na base de critérios teóricos, que vão sendo redefinidos, razão pela qual, para alguns autores (entre eles, Brannen, 1992), a selecção de casos não pode ser antecipadamente planeada. De igual forma, não existe a escolha de um número predeterminado de casos; o principal instrumento de pesquisa é o próprio investigador; a generalização tem aqui um estatuto diferente, mais no sentido da replicação dos resultados noutros casos similares ou conjuntos de condições. (...). “Ao contrário da investigação quantitativa, os métodos qualitativos encaram a interacção do investigador com o campo e os seus membros como parte explícita da produção do saber, em lugar de a excluírem a todo o custo, como variável interveniente. A subjectividade do investigador e dos sujeitos estudados faz parte do processo de investigação” (Flick, 2005a:6)."

Assim, embora para cada estudo a pergunta de partida possa determinar o mais forte pendor para um dos tipos de métodos é, em geral, de encorajar a triangulação metodológica como caminho mais frutuoso de articulação de resultados, de delimitação contextual ou de percurso e de levantamento de novas pistas para investigação futura.

Ventura, T. , 2011.
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