LIO_AN~1.JPGComo refere Coutinho, C. (2006), "Falar da investigação num dado domínio científico é como que ver reflectido num espelho aquilo que, num dado momento, preocupa, interessa e intriga os investigadores nessa área ou domínio do conhecimento; nesse sentido, é também uma forma de procurar justificação para as opções feitas em termos de temáticas, referenciais teóricos e paradigmáticos, todo um conjunto de factores (valores, acepções e tendências) a que se costuma chamar de “paradigma de investigação” (Kuhn, 1970). A cada paradigma corresponde uma forma de entender a realidade e encarar os problemas educativos e a evolução processa-se quando surgem novas formas de equacionar as questões impulsionando a que os paradigmas fluam, entrem em conflito na busca de novas soluções para os problemas do ensino e da aprendizagem."

Aliás, segundo Gamboa (2007, p.46), "quando investigamos, não somente produzimos um diagnóstico sobre um campo problemático, ou elaboramos respostas organizadas e pertinentes para questões científicas, mas construímos uma maneira de fazer ciências e explicitamos uma teoria do conhecimento e uma filosofia".

Assume-se que uma posição que favoreça a hegemonia paradigmática num Centro de Investigação é, à partida, reducionista pelo que se encoraja a escolha livre e aberta quer das questões / problemáticas de investigação quer dos caminhos a percorrer em busca de respostas. Na base de tais escolhas estão as possibilidades e capacidades de atracção de investigadores com diferentes graus de maturidade investigativa por um mesmo campo problemático, negociável ou negociado.

Mas tem-se em conta que só com uma análise dos trabalhos, processos e resultados, realizada em profundidade e extensão face à produção de equipas tão diversificadas, se poderão constituir as mais valias decorrentes de tal diversificação. Aliás a adequação de tal posicionamento é reforçada pela composição multidisciplinar da Equipa e pela sua diversidade de práticas.

Com vista a uma estruturação mais rigorosa do processo de análise epistemológica usar-se-a o “ esquema paradigmático” (Gamboa (2007), "estrutura que permite rastrear, nos trabalhos científicos, a lógica interna do conhecimento produzido expressa em diferentes dimensões como a filosófica, lógica, epistemológica, teórica, metodológica e técnica. Assim, a análise de uma produção, feita pelo uso do esquema paradigmático, permite configurar vinculações próprias, existentes entre os elementos da produção científica, além de demonstrar articulações de partes dissolvidas, para o alcance do objetivo proposto no trabalho. Ao possibilitar uma nova visão do mundo, remete ao que Capra (2006), no seu livro “A teia da vida”, concebe como um todo integrado, onde todo elemento possui uma função no processo de construção." (Santos, V.S., Andreoli, F.N., Pinto, N.B. (2009).

Ventura, T. 2011

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